Terça-feira, Dezembro 22, 2009
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Respira fundo... tá valendo?, minha cabeça dói, o lado esquerdo, a nuca, nuca, nunca senti essa dor, não é de pensar, antes fosse, bastava parar, mas é de nadar, dói de nadar e só consigo pensar em nadar, em parar de nadar, nadar, nadar, que verbo é esse, nadar?, eu só faço pensar e nadar e não quero parar de nadar, quem dera parar de pensar, não quero parar de querer, eu quero nadar mas quero poder, o outro poder, o poder, e como juntar o nadar e o poder, não sei como faz, nadar é viver, poder é morrer, eu quero poder, eu quero morrer, eu quero morrer mais rá-pi-do e não um pouco por dia, eu quero nadar um pouco por dia, todos os dias, eu quero viver de nadar e morrer de poder, mas dói tanto, dói nadar e não poder, dói morrer e não viver, dói, o lado esquerdo, a nuca, nuca, nunca senti essa dor, respira fundo.. eu quero dizer, preciso, eu preciso dizer, dizer nunca é preciso, e agora?, eu preciso querer dizer, querer sim é preciso, eu preciso querer, eu preciso querer com mais cal-ma, querer quem precisa, quem precisa ouvir o que tenho a dizer, não é preciso entender, só preciso dizer, não precisa doer, tampouco acalmar, mas em mim dói tanto, dói precisar dizer sem querer e querer sem precisar, dói, o lado esquerdo, a nuca, nuca, nunca senti essa dor, respira fundo.. eu tenho um vazio, um nada, tão fácil ter tudo quando tenho nada, eu tenho nada, tenho nada além do vazio e o vazio é tudo, eu tenho tudo, o nadar, o querer, o poder, o dizer e o precisar, o tudo e o nada, eu tento viver de nadar, morrendo depressa, dizer o preciso pra quem é preciso, querendo com calma e acalmando por dentro, com tudo o que tenho do nada que sou, porque eu sou o que tenho e eu tenho o vazio, e dói tanto, dói ser eu mesma, dói, o lado esquerdo, a nuca, nuca, nunca senti essa dor, respira fundo... deu.
Haze 1:18 AM
Terça-feira, Dezembro 08, 2009
[Momento]
Às vezes eu esqueço que esse mundo me condena
Por ser leve, diferente, displicente, tão serena.
Por dar costas aos conflitos, grosserias, entreveiros,
Compromissos tão boçais, comentários de terceiros.
Eu me blindo de carinho, atenção, bons sentimentos,
Me perco no teu sorriso, no olhar profundo, calor intenso.
Eu desejo o teu jeito doce, teu abraço longo e verdadeiro
E te dou em troca o meu mundo louco, meu tempo todo, meu corpo inteiro.
Que pena eu sinto dos que tanto vivem e nada sentem,
Que passam batidos e apressados pelos sinais que não entendem.
Tão perdidas, tão pequenas, as pessoas com seus dilemas
Perdem a vida julgando os outros e morrem atoladas nos seus problemas.
O momento é turbulento nesse
mundo violento
e aqui dentro é tudo paz.
Haze 3:19 PM
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Triste.
Haze 6:11 AM
Terça-feira, Novembro 03, 2009
[Oração para um ignorante]
Ok, façamos assim. Para cada grosseria, eu deixo de ingerir mais um. Para cada agressão, eu deixo de comprar mais um. Para cada sandice dita, eu deixo de te escutar. Para cada falácia suja, eu deixo de acreditar no mundo. Para cada xingamento, eu salvo um irmão. Para a tua violência, eu deixo o meu amor. Para a tua ignorância, eu deixo o meu perdão. E assim vamos seguindo. Amém.
Haze 7:42 PM
Terça-feira, Outubro 27, 2009
[Por que eu mesmo?]
Passo os olhos pelo amontoado de letras, mensagens, frases, figuras e borrões. Eu fixo, anoto, aprendo, desvendo, ignoro e esqueço. Eu tento, por tudo o que sei, eu tento não me repetir. Eu comparo, mas não entendo, realmente não entendo o que me faz melhor que todos aqui, já que, por dentro, quando questiono o meu grande talento, o meu pensamento nada me diz. Passo os olhos pelo amontoado de vidas, viagens, figuras e borrões. Eu fixo, recordo, analiso, condenso, desdenho e esqueço. Eu tento, por tudo o que sei, eu tento não me reprimir. Eu comparo, mas não entendo, realmente não entendo o que me faz mais doce que todos aqui, já que, por dentro, quando questiono o meu grande sentimento, o meu coração nada me diz. Passo os olhos pelo amontoado de sinais que vêm até mim. Eu fixo, envolvo, perturbo, desejo, persisto e padeço. Eu tento, por tudo o que sei, eu tento não me deprimir. Eu comparo, mas não entendo, realmente não entendo o que me faz mais querida que todos aqui, já que, por dentro, quando questiono o meu corpo sedento, o meu julgamento nada me diz.
Well, well, ainda bem que eu sou uma farsa. Vamos continuar assim :)
Haze 3:18 PM
Terça-feira, Outubro 20, 2009
[Repita até entender]
Não sou a solução para os problemas, a válvula de escape, teu porto seguro.
Não entendo de caridade, não dou o meu ombro e nem meu perdão.
Não quero um amigo, um carinho sem rumo, um andar imaturo.
Não sou nem de longe tua segunda opção.
Não tolero fantasmas, tabus, desencontros e tempo perdido.
Não sou tão legal, easy-going, não me tome por irmã.
Não sou tranquila, nem gentil, não ultrapasse o meu limite.
Não sou aberta, nem toda ouvidos, não me faça de divã.
Não quero bem e não quero pouco, não pense que é o meu mundo.
Não me insira no teu discurso, na tua irritante confusão.
Não tenho ares de santa e antes que ouse ir além,
Não somos nós e mais alguém, somos eu e mais ninguém.
Haze 4:46 PM
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
[Ah, e quem liga?]
Um pedaço de corpo.
Uma atitude perdida.
A cabeça cedendo
à inevitável partida.
E daqui, o que importa
se doce ou amargo,
do extremo ao recato,
se foi santa ou ferida?
O que se leva de fato
nessa vã despedida?
De ilusão ou temor,
de razão ou calor,
no acerto e no erro,
é somente o sorriso
do caminho escolhido,
que se leva da vida.
E no instante em que finda
nosso breve respiro,
a passagem de ida
sem recibo ou valor,
o que dizer a quem fica?
Aos penosos que espreitam,
curiosos na dor,
"Do que morreu a menina?"
Ela morreu de amor.
Ao som de End Theme – Loving Annabelle Soundtrack.
Haze 6:36 PM
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
[I... fall]
Medo de te ver,
te conhecer,
de me envolver
Medo de te ter,
de me prender,
de te perder
Medo, que me toma, me fascina
me impulsiona,
me domina
Medo que provoca, que me enche
de desejo,
da tua boca, do teu beijo
Meu brinquedo,
meu segredo,
Que no corpo inteiro,
seja sempre medo.
"Your eyes forever glued to mine"
Haze 2:50 PM
Terça-feira, Setembro 22, 2009
[Dia mundial sem graça]
Eu passo pelos dias à espera de um encontro. De sorrisos, idéias, um olhar sincero e brilhante. Que me leve para longe e mantenha por quanto for o calor do seu interminável instante. Eu devoro os momentos, pequenas gotas de atenção. Desvendo pistas, entrelinhas e gestos. Alimento o meu ego e mantenho a distância, na ânsia de te ver cada vez mais perto. E não importa o quanto se construa, com sol ou chuva, o quanto seja belo o tempo que passa; a verdade é que, enquanto te espero, os dias sem você, meu amor, não têm mais a menor graça.
Haze 5:22 PM
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
["Meu amor, não se atrase na volta não"]
Eu tive um final de semana abençoado, com a lua na varanda à noite e o sol pela manhã do meu lado. Passei esticada no parque, descansando, cumprimentando bichanos e sorrindo para os mundanos. Quem dera o tempo fosse todo assim.
Tamanha foi a alegria que agora nem ligo pra cara feia desse dia arrastado, nublado e sem fim. Se os que andam apressados percebessem que ganha a corrida quem chega por último, dariam mais atenção para mim. Mas eles estão ocupados demais com o nada do tudo que querem, o nada do tudo que têm. E perdem o frescor das manhãs, o calor dos amores e a beleza dos dias. Meu amor, não se atrase na volta não... nos vemos novamente, semana que vem.
Haze 7:48 PM
Quinta-feira, Setembro 03, 2009
["Se aquela estrela vela por nós]
Será que escuta minha voz?"
Eu sempre te observo, como que encantada, e se me deixa, passo horas a te fitar, sem perceber a fumaça, o barulho do mundo, a dor de permanecer imóvel, a dor de parecer tão pouco perto de você.
Justo eu, quem diria, eu que te desprezo, não te vibro, não te quero. Justo eu, que te tenho em retrocesso passando pelo meu céu. Puro desdém, puro querer. Não me leve a mal, é o que digo todas as noites, não me queira mal. A verdade é que não sou capaz de te sentir. Eu nasci assim, tão brilhante nas idéias, tão sagaz nos pensamentos, tão altiva, tão pedante e sem você dentro de mim.
Por isso, esta noite tenho algo pra te pedir.
Um filho teu, quem sabe, um filho teu no meu caminho. Um sujeito que vibre o teu encanto.
Que me traga o amor que eu não conheço, o olhar que não mereço, a paixão que não entendo, o calor que não senti.
A tua persona, palpável, amável, real. Que preencha o vazio que você não foi capaz de preencher em mim.
Aguardo - sem muita paciência, como é habitual - e te encontro hoje à noite, no obscuro do meu mundo, para reforçar o meu pedido.
Da tua filha que te renega e te venera,
Haze.
Haze 11:28 AM
Quinta-feira, Agosto 06, 2009
[Decifra-me ou te devoro]
Hoje vou visitar o cardiologista. Há anos ele cuida de mim. É um pouco alarmista, verifica o tamanho das válvulas, as condições das artérias, o estado dos tecidos, e me coloca pressão, muita pressão. Afinal, dos males que nasceram comigo, este é, sem dúvida, o que requer mais atenção. "Alimente-se direito, condicione-se bem e evite todo tipo de preocupação". E desde criança eu me cuido, não como porcarias, me mantenho em forma, faço de tudo pra proteger as cavidades que restam no meu coração.
Mas há um bicho que me come por dentro e contra ele eu nada posso fazer. Não há receita que me livre dos efeitos que esse sentimento me causa. Eu perco o chão, o rumo, fico tensa, e aí o coração dispara, pede ajuda, reclama, parece que vai dar pane e me deixar.
Por isso, se um dia me vir calada, perdida, amuada, não se preocupe. É só amor. É que justo com ele ainda não aprendi a lidar.
Haze 11:38 AM
Domingo, Agosto 02, 2009
[Estrada]
Neste momento, enquanto a noite se faz, estou exausta do tanto que percorri.
Meus pés latejam, o coração salta à boca, machucado, estou prostrada no meio do nada, curvo-me sentindo o peso do cansaço. Olho para trás e não gosto do que vejo. Meus joelhos tocam o chão e por ali permaneço, como se pedisse perdão pelo caminho que tracei, repleto de desgosto, de obstáculos torpes que eu mesma criei. Enxergo uma nuvem de medo, abandono, descaso compondo uma trilha de real desencanto, com festas miúdas, sorrisos escassos, castelos de ilusão se deteriorando, o destino seguindo de encontro ao fracasso, mas não por engano. Escolhi cada passo do meu caminhar abjeto, conhecia os meandros e intrigas que brotavam pelos cantos do meu trajeto. Não há desculpa que caiba, neste instante, para refazer a paisagem e acalmar o meu pranto. Não há energia, não há alegria, não há por que voltar. Aguardo o decorrer das horas, no sereno da noite, para curar as feridas, perdoar, aprender. Descobrir em que ponto o meu corpo esqueceu-se de amar. E a partir de amanhã, deste ponto em diante, encontrar um caminho que me leve a viver. Sem receios, nem mágoas, sem rancor, sem pesar.
Haze 12:58 PM
Terça-feira, Julho 21, 2009
[Silêncio. Conseguem me ouvir?]
Não gosto de falar pelos cotovelos, gosto de conversar.
A propósito, existem várias formas de dizer: escrevendo, desenhando, silenciando e até peidando, vai saber.
Eu sou sensível sim. Perguntem à Jurema, minha lombriga, ela habita o meu interior nervoso.
Talvez só ela saiba de mim. E mais um, um ser e meio, quase dois, que deixo entrar.
Eu estou tão triste, que ninguém me ouça.
Naah, ouvir de que jeito, se eu não falo? Bobagem!
Continuem achando que sou indiferente.
Na verdade eu sou muito forte. Praticamente um ser blindado.
Eu tenho a solidez de um chantilly. Tenham medo de mim!
Eu sou uma tremenda chata. Ranzinza, mal humorada e sem educação.
Eu respondo na cara e falo palavrão.
Detesto que me toquem. Não me toquem.
Dói. Só não dói se tiver amor de verdade.
Onde se acha isso mesmo? Ah sim, aqui dentro de mim. Obrigada, Jurema.
Eu sou cruel! Não dou chances a ninguém.
Eu vivo fechada no meu mundo, não convido, não faço festa, não faço questão.
Eu sou tão cruel que dou a minha vida, o meu mundo e o meu coração.
Sim, e é por isso que vou pro céu, por ser tão incrível e patifemente cruel.
Eu estou tão triste, será que alguém me ouve?
É que a gente vive e nem se dá conta.
Conta de que, no fundo, a gente apenas sobrevive.
A gente apenas faz de conta.
Será que alguém me ajuda?
Enxergam o que de fato eu sou?
Entendem o que tento dizer? Escrevendo, desenhando, silenciando e.. enfim.
Será que tem jeito de não terminar assim?
O destino é algo tão cretino que me encrenco sempre com ele.
Aliás, nem sei o que ainda fazem aqui, não vêem que sozinha eu fico muito bem?
Será que o meu destino é ficar só? Eu tenho tanto pra dar.
A minha ausência, o meu silêncio, a indiferença, meu mau humor, minha crueldade.
O meu mais puro, sincero e verdadeiro amor.
Será que um dia a gente vive?
Eu amo tanto, conseguem ouvir meu coração?
Sim Jurema, você eu sei.
Eu quero tanto que sufoca, perco a voz, só consigo calar.
Mas é que hoje estou tão triste, espero que me entendam.
Hoje, e apenas hoje, eu preciso falar.
Haze 5:51 PM
Segunda-feira, Junho 22, 2009
[Status: Samambaia]
Os dias se arrastam. São 20 horas, em média, dormindo. Fingindo dormir.
Os olhos são convidados a fechar, mas nada acontece. Eu os obrigo a fechar e eles não obedecem. As paredes giram como se um brinquedo me embalasse no meio do quarto. Sinto nada além de calafrios agendados, náuseas e um forte desequilíbrio. Para um animal que deslizava em patins há poucos dias, a sensação não é nada agradável. Não sinto o meu corpo, apenas o seu peso, que embora perdendo massa a cada dia, está cada dia mais obeso. Meus lábios não dizem o que eu gostaria, eles mal dizem alguma coisa.
Dos sons que escuto, soa claro o que vem de dentro: agudos contínuos, um tambor em descompasso, tecidos fritando como se expostos ao pior tempo. Ao fundo, vozes, murmúrios, telefones tocando, aviões caindo, portas batendo. Uma realidade bem alheia à que estou vivendo.
Não há o que comer, não há prazer, é tudo podre, como carne, como sangue, como se eu soubesse o gosto de estar morrendo.
A cada hora, uma droga. Um cateter na veia hidratando, sufocando, mascarando, varrendo o veneno com mais veneno. Meu corpo está nas mãos de terceiros que vêm me cuidar, alguns com jeito, outros nem tanto e outros que nem sei. Estou entregue à sorte, não sei mais onde estou e nem o que posso. A verdade é que não posso. E admitir isso talvez seja, no momento, o pior dos meus tormentos.
Para um animal que controla tudo ao seu redor, não saber mais o que é o seu redor causa um desespero tremendo.
Dizem os entendidos que meus tecidos se recuperarão com o tempo. O pior passou e eu resisti. Resta-me apenas ter paciência, algo que preenche com abundância os meus poros e transborda nos raros momentos em que choro.
Haze 6:32 PM
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